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PRINCIPAIS DOUTRINAS ÉTICAS

PRINCIPAIS DOUTRINAS ÉTICAS

PRNCIPAIS DOUTRINAS ÉTICAS

 

                   Conforme abordado em nossa primeira aula, as questões éticas ocupam nosso mundo desde o início dos tempos.Costuma-se afirmar que, quando o homem passa a viver em sociedade, seus desejos e impulsos interiores passam a aflorar com mais intensidade, gerando os questionamentos que envolvem a relação com os outros integrantes da sociedade. Assim, os contornos éticos do ser humano passaram se desenvolver.

                    Antes mesmo do início da Filosofia Antiga, cujo nascedouro foi a Grécia, povos mais antigos já tratavam se questões éticas, tais como os chineses e os egípcios, em especial no tocante à religião, ao trato com o povo e à forma de fazer as guerras.

 

  1. Idade Antiga

a)       Sócrates

Costuma-se afirmar que a origem da Ética vem dos estudos desenvolvidos por Sócrates. Nascido em Atenas, Sócrates é considerado o pai da Filosofia Moral e próprio precursor da Filosofia. O pensamento de Sócrates foi desenvolvido com base em análises da NATUREZA HUMANA e suas manifestações ÉTICO-SOCIAIS. Assim, Sócrates quebrou paradigmas vigentes à época, uma vez que a Filosofia então desenvolvida era baseada na visão do Cosmos e da Natureza. Neste contexto, um dos temas mais presentes no pensamento socrático era a VERDADE, como um dos principais integrantes da ÉTICA, que forjaria um juízo universal, com o potencial de direcionar a vida dos homens, tanto no plano pessoal quanto no plano político.

A Ética de Sócrates tinha como questão principal a FELICIDADE, a quem denominava como o “bem supremo da vida”, ou a própria finalidade da vida.

Assim, Sócrates entendia a natureza humana como fonte de manifestações ético-sociais, sendo que a Verdade despontava como verdadeiro paradigma que deveria inspirar todos os homens de todas as Nações, tendo a Felicidade como vetor de direcionamento a ser alcançada como própria essência da vida.

Segundo Julian Faria (in http://jfariaadvogados.wordpress.com/2010/01/27/a-etica-de-socrates/),

A ética socrática reside no conhecimento e em vislumbrar na felicidade o fim da ação. Essa ética tem por objetivo preparar o homem para conhecer-se, tendo em vista que o conhecimento é a base do agir ético. Ao contrário de fomentar a desordem e o caos, a filosofia de Sócrates prima pela submissão, ou seja, pelo primado da ética do coletivo sobre a ética do individual. Neste sentido, para esse pensador, a obediência à lei era o limite entre a civilização e a barbárie. Segundo ele, onde residem as ideias de ordem e coesão, pode-se dizer garantida a existência e manutenção do corpo social. Trata-se da ética do respeito às leis,e, portanto, à coletividade.

                        Na construção de seu pensamento, Sócrates jamais teve a pretensão de ensinar a quem quer que fosse. Para Sócrates, o Conhecimento somente seria obtido a partir do reconhecimento da própria ignorância, tendo entabolado as célebres expressões “eu só sei que nada sei” e “O ignorante supõe saber tudo. O sábio sabe que nada sabe”.

                     Interessante observar que Sócrates não deixou nenhuma obra escrita, sendo seu pensamento divulgado posteriormente, em especial nas obras de Platão.

 

b)      Platão

Conforme mencionado, coube a Platão, discípulo de Sócrates, divulgar em suas obras o pensamento do mestre.

A Ética de Platão está direcionada a alcançar o BEM. Segundo Platão, somente com a prática do BEM podemos conhecer a ética e a política. Esta é característica bem marcada da Ética Platônica, posto que seu pensamento a direciona para a política.

Platão defendia o desprezo aos prazeres da vida, as riquezas e as honras, ensinando que a vida humana deveria estar voltada essencialmente para a prática do BEM. No entanto, não descartava totalmente esses prazeres, posto que pregava a necessidade de equilíbrio entre elementos diversos que levariam a um mesmo fim. Por exemplo, a justa medida entre o prazer e a inteligência, é por meio deste equilíbrio que as ações humanas atingem o bem.

                        Mas, importante ressaltar que, para Platão, o BEM não se realizava nas coisas materiais, mas em tudo que engrandecesse a alma.

                        Para Platão, o BEM somente seria encontrado no mundo das ideias (conhecimento da verdadeira realidade). O escrito “O Mito da Caverna” retrata muito bem esse pensamento de Platão. Para ele, o indivíduo não nasce dotado de Ética, sendo necessário que o Estado venha a intervir, por intermédio da Educação, para dotar o homem de Ética. Assim, a Ética seria fundamentada na LIBERDADE, razão pela qual o homem não nasceria já determinado a agir de acordo com princípios específicos, mas aprenderia a agir de maneira correta. Assim, o agir Ético não seria um dom natural do ser humano, mas sim decorrente de um processo educativo constante, complexo e, algumas vezes, doloroso.

                        A Ética tem por base a liberdade, por isso o individuo não nasce determinado para agir conforme princípios categóricos, mas aprende-se a agir de maneira correta.

                        A Ética de Platão tem por objetivo conduzir o indivíduo a alcançar o SUMO BEM, seno que, para tal, deverá ele desprezar os prazeres mundanos e incorporar as virtudes essenciais da alma humana.

                        Acesse o link http://www.psicoloucos.com/Platao/alegoria-da-caverna-platao.html e estude sobre o tema.

                              

c)       Aristóteles

Aristóteles teve suas ideias fomentadas no pensamento de Platão, muito embora a partir daí tenha seguido caminhos opostos ao de seu mestre. Com uma ampla produção intelectual, revelando-se um pensador eclético, já que tratou sobre física, ética, política, metafísica, retórica e poesia; Aristóteles formulou toda uma reflexão ética, partindo dos fenômenos que emergiam da Ciência Política, base da Ciência Social. A Ética Aristotélica vê o homem individual essencialmente como um integrante da sociedade, determinando, assim, o seu caráter político, alinhado à Ciência Social.

Na ética aristotélica possui mais valor um cidadão formado nas virtudes, especialmente aquelas relacionadas ao conceito de Justiça, do que as prescrições objetivas estabelecidas pela lei.

A Ética aristotélica realiza uma interpretação das ações humanas fundamentadas em análises de meio e de fim, resultando da definição de determinadas práticas humanas onde o conteúdo moral estará relacionado à prática de ações específicas. Tais ações devem ser implementadas não apenas por parecerem corretas aos olhos de quem as pratica, mas porque através dessas ações o homem estará mais próximo do bem. 

Aristóteles, em seu livro “Ética a Nicômaco” (1097 b), afirma que esse bem supremo nada mais é do que a felicidade. Através das ações positivas, praticadas num contexto ético e moral, o homem materializa o bem, alcançando a felicidade:

 (1097 b) Ora, parece que a felicidade, acima de qualquer outra coisa, é considerada como esse sumo bem. Ela é buscada sempre por si mesma e nunca no interesse de outra coisa; enquanto que a honra, o prazer, a razão, e todas as demais virtudes, ainda que as escolhamos por si mesmas (visto que as escolheríamos mesmo que nada dela resultasse), fazemos isso no interesse da felicidade, pensando que por meio dela seremos felizes. Mas a felicidade, ninguém a escolhe tendo em vista alguma outra virtude, nem, de uma forma geral, qualquer coisa além dela própria.

 Ressalte-se, no entanto, que estamos nos referindo à verdadeira felicidade, aquela que abranda almas e corações, e não à pseudofelicidade, que advém de conquistas e atitudes que massacram o semelhante e determinam um mórbido prazer ao algoz.

Para Aristóteles, a VIRTUDE está centrada no JUSTO MEIO, ou seja, os extremos de qualquer situação devem ser descartados, buscando-se a chamada MEDIANIA. Assim, diante de determinada situação, que exige uma decisão, o indivíduo deverá buscar o equilíbrio (que não significa necessariamente exatamente o meio das opções), evitando os extremos. Tudo que é extremo não conduz à VIRTUDE.

  

d)      Epícuro

                        Criador do Epicurismo, afirmou que a sabedoria, a honestidade e a justiça eram essenciais para uma vida feliz. Neste sentido, o objetivo da vida feliz é o PRAZER. No entanto, não devemos confundir o prazer mencionado por Epícuro com o prazer mundano. Para Epícuro, o verdadeiro prazer consistiria na tranquilidade do espírito, que conduziria ao grande fim da moral. Neste contexto, a ÉTICA seria a parte mais importante da Filosofia, uma vez que caberia a ela indicar o caminho da Sabedoria, da Honestidade e da Justiça, ou seja, o próprio caminho da felicidade.

                        O Prof. João Francisco P. Cabral resume com precisão os contornos da Ética proposta por Epícuro (disponível em http://www.brasilescola.com/filosofia/a-etica-epicuro.htm):

Segundo Epicuro, a posse de poucos bens materiais e a não obtenção de cargos públicos proporcionam uma vida feliz e repleta de tranquilidade interior, visto que essas coisas trazem variadas perturbações. Por isso, as condições necessárias para a boa saúde da alma estão na humildade. E para alcançar a felicidade, Epicuro cria 4 “remédios”:

1. Não se deve temer os deuses;

2. Não se deve temer a morte;

3. O Bem não é difícil de se alcançar;

4. Os males não são difíceis de suportar.

De acordo com essas recomendações, é possível cultivar pensamentos positivos os quais capacitam a pessoa a ter uma vida filosófica baseada em uma ética. A felicidade se alcança através de poucas coisas materiais em detrimento da busca do prazer voluptuoso. O homem ao buscar o prazer procura a felicidade natural. No entanto é necessário saber escolher de modo que se evite os prazeres que causam maiores dores; quando o homem não sabe escolher, surge a dor e a infelicidade.

O sábio deve saber suportar a dor, visto que logo essa acabará ou até mesmo as que duram por um tempo maior são suportáveis. A conquista do prazer e a supressão da dor se dão pela sabedoria que encontra um estado de satisfação interna. A virtude subordinada ao prazer só pode ser alcançada pelos seguintes itens:

Inteligência – a prudência, o ponderamento que busca o verdadeiro prazer e evita a dor;

Raciocínio – reflete sobre os ponderamentos levantados para conhecer qual prazer é mais vantajoso, qual deve ser suportado, qual pode atribuir um prazer maior, etc. O prazer como forma de suprimir a dor é um bem absoluto, pois não pode ser acrescentado a ele nenhum maior ou novo prazer.

Autodomínio – evita o que é supérfluo, como bens materiais, cultura sofisticada e participação política;

Justiça – deve ser buscada pelos frutos que produz, pois foi estipulada para que não haja prejuízo entre os homens.

Enfim, todo empenho de Epicuro tinha como meta a felicidade dos homens. Nosjardins (comunidade dos discípulos de Epicuro) reinava a alegria e a vida simples. A amizade era o melhor dos sentimentos, pois proporcionava a correção das faltas uns dos outros, permitindo as suas correções. Com isso, a moral epicurista é baseada na propagação de suas ações, pois ele não se restringiu apenas ao sentimento e ao prazer como normas de moralidade, mas foi muito além de sua própria teoria, sendo o exemplo vivo da doutrina que proferia.

                        Se tivéssemos que resumir a ideia da Ética de Epícuro, certamente sua célebre frase se encarregaria disso: “Faze tudo como se alguém te contemplasse” (vide explicação nos slides e vídeos da 1ª aula).

 

e)       Zenão

Zenão, seguidor do estoicismo, que acreditava ser a VIRTUDE o grande fim da vida humana. Segundo essa ética estoicista, a virtude moral é constituída de conhecimento racional e força suprema, "no mundo acontece apenas o que Deus quer e o sábio deve aceitar o seu destino". O estoicismo é, portanto, uma forma de viver conforme a natureza, sendo seu tema fundamental a existência de uma ordem universal racional.

 

Assim, segundo a enciclopédia virtual Wikipédia, para os Estóicos, “a felicidade consiste em viver de acordo com a lei racional da natureza e aconselha a indiferença (apathea) em relação a tudo que é externo. O homem sábio obedece à lei natural reconhecendo-se como uma peça na grande ordem e propósito do universo, devendo assim manter a serenidade e indiferença perante as tragédias e alegrias”.

 

2.       IDADE MÉDIA

(texto extraído do website http://www.colband.com.br/ativ/nete/cida/forum_politica_etica_3bim05/sociologia/g2/)

A Ética na Idade Média é marcada pela influencia e regência da fé católica e suas doutrinas. Entre o século IV e o século XV, predomina a moral cristã. Deus é identificado com o Bem, a Justiça e a Verdade, e deve ser o modelo a ser seguido. Neste contexto dificilmente se concebe a existência de teorias éticas autônomas da doutrina da Igreja Cristã, dado que todas elas de uma forma ou outra teriam que estar de acordo com os seus princípios. 
Santo Agostinho e São Tomás de Aquino são os principais filósofos da ética na Idade Média. O primeiro fundamentou a moral cristã, com elementos filosóficos da filosofia clássica, dizendo que a ética tinha por objetivo tornar os humanos em seres felizes, e essa felicidade só seria atingida num encontro amoroso do homem com Deus. O segundo concorda com a essência da teoria de Santo Agostinho, mas fundamenta-se em questões levantadas por Aristóteles durante a Antiguidade Clássica. Em toda a ética de S. Tomás de Aquino está presente o direito natural (jusnaturalismo). Existe uma lei eterna ― uma lei que governa todo o universo e que existe na lógica do surgimento desse universo. A lei natural que existe no Homem é um reflexo (ou uma “participação”) dessa lei eterna que rege o universo.

 

3.       IDADE MODERNA

(texto extraído do website http://www.colband.com.br/ativ/nete/cida/forum_politica_etica_3bim05/sociologia/g2/)

 

Na Idade Moderna, influenciada pelo Renascimento, a Ética passa a se distanciar dos preceitos cristãos e aproxima-se mais dos conceitos gregos. As bases da Ética passam a se fundamentar na razão, e ficou definida principalmente pelas regras, leis e normas impostas pela sociedade. A ascensão da burguesia influenciou muito nos fundamentos morais, visto que esta camada social gerou novas idéias e conceitos. Os filósofos dessa época pregavam que somente pela Ética era possível evitar conflitos entre o indivíduo e a sociedade.

Nicolau Maquiavel, pensador do Renascimento, afirmou que os valores da Ética deveriam se constituir em orientação para os príncipes ou governantes. No entanto, afirma ele que, na realidade histórica, os governantes para serem eficientes na condução e na administração do Estado, precisam, com freqüência, de utilizarem-se de meios não-éticos para governar. Por exemplo, precisam usar a violência contra seus inimigos e adversários se quiserem defender o Poder político. Posteriormente, outros pensadores, baseados em Maquiavel, afirmaram que os comportamentos éticos são possíveis nas relações entre os indivíduos. No plano das relações sociais e políticas, a Ética apenas seria possível caso não existisse desigualdade entre os homens e mulheres. Ou seja, a política apenas seria ética se houvesse igualdade de condições entre homens e mulheres. Enquanto as relações forem desiguais – dominantes/dominados; proprietários/não-proprietários; ricos/pobres –, os valores da Ética não podem ser inteiramente realizados. Para haver relações verdadeiramente éticas seria preciso que não haja interesses e conflitos antagônicos na sociedade. Isto não significa que não devamos lutar para que na política as relações devam obedecer aos valores e ideais tradicionais pregados pela Ética em todos os tempos.


Immanuel Kant – Königsberg – 1724/1804

(Tradução de F. J. Azevedo Gonçalves - Texto retirado de Elementos de Filosofia Moral, de James Rachels (Lisboa: Gradiva, 2004) (disponível em http://criticanarede.com/fa_13excerto.html)

 “Como muitos outros filósofos, Kant pensava que a moralidade pode resumir-se num princípio fundamental, a partir do qual se derivam todos os nossos deveres e obrigações. Chamou a este princípio “imperativo categórico”. Na Fundamentação da Metafísica dos Costumes (1785) exprimiu-o desta forma:

Age apenas segundo aquela máxima que possas ao mesmo tempo desejar que se torne lei universal.

No entanto, Kant deu igualmente outra formulação do imperativo categórico. Mais adiante, na mesma obra, afirmou que se pode considerar que o princípio moral essencial afirma o seguinte:

Age de tal forma que trates a humanidade, na tua pessoa ou na pessoa de outrem, sempre como um fim e nunca apenas como um meio.

Quando Kant afirmou que o valor dos seres humanos “está acima de qualquer preço” não tinha em mente apenas um efeito retórico, mas sim um juízo objetivo sobre o lugar dos seres humanos na ordem das coisas. Há dois fatos importantes sobre as pessoas que apoiam, do seu ponto de vista, este juízo.

Primeiro, uma vez que as pessoas têm desejos e objetivos, as outras coisas têm valor para elas em relação aos seus projetos. As meras “coisas” (e isto inclui os animais que não são humanos, considerados por Kant incapazes de desejos e objetivos conscientes) têm valor apenas como meios para fins, sendo os fins humanos que lhes dão valor. Assim, se quisermos tornar-nos melhores jogadores de xadrez, um manual de xadrez terá valor para nós; mas para lá de tais objetivos o livro não tem valor. Ou, se quisermos viajar, um carro terá valor para nós; mas além de tal desejo o carro não tem valor.

Segundo, e ainda mais importante, os seres humanos têm “um valor intrínseco, isto é, dignidade”, porque são agentes racionais, ou seja, agentes livres com capacidade para tomar as suas próprias decisões, estabelecer os seus próprios objetivos e guiar a sua conduta pela razão. Uma vez que a lei moral é a lei da razão, os seres racionais são a encarnação da lei moral em si. A única forma de a bondade moral poder existir é as criaturas racionais apreenderem o que devem fazer e, agindo a partir de um sentido de dever, fazê-lo. Isto, pensava Kant, é a única coisa com “valor moral”. Assim, se não existissem seres racionais a dimensão moral do mundo simplesmente desapareceria.”

 

4.       IDADE CONTEMPORÂNEA

(texto disponível em :http://www.colband.com.br/ativ/nete/cida/forum_politica_etica_3bim05/sociologia/g2/)

“O desenvolvimento tecnológico e as mudanças na sociedade trouxeram à Idade Contemporânea novas discussões a respeito da ética. As Revoluções, as mudanças, os avanços, que prometiam resolver os problemas de uns, causaram problemas a outros. Isso quebra os preceitos da ética. Mas surge a questão: até que ponto o indivíduo deve obedecer à ética? Por exemplo: Mentir seria antiético. Mas o que faria um general capturado pelo inimigo se fosse questionado sobre alguma estratégia de seu exercito ou sobre a localização de alguma base militar secreta? Seria certo falar a verdade e prejudicar seus soldados e seu país. O exemplo pode parecer estúpido, mas é esse tipo de conflito que as questões éticas enfrentam hoje em dia. A ética imposta a sociedade vale mais do que o valores pessoais? A ética deve ser padronizada e imposta a todos? Afinal, o que é lícito e o que é ilícito?”

Na verdade, a questão central da Ética nos tempos atuais está voltada para a necessidade de respostas a recentes questionamentos. O desenvolvimento tecnológico, em especial, trouxe soluções para diversos problemas, mas também trouxe novos problemas. As informações, de forma massificada, passaram a transitar em tempo real, com o advento da internet. Além disso, o acesso a informações no mundo todo passou a estar disponível em um simples clique no mouse do computador. As pessoas passaram a se relacionar virtualmente e numa rapidez sem igual. Porém, novas questões éticas são trazidas à discussão. Como deve ser o comportamento do indivíduo na rede mundial de computadores? Como se dirimir conflitos, ofensas, negociações fraudadas, computadores invadidos, crimes cibernéticos? Da mesma forma, com os avanços das pesquisas, surge a questão da Bioética, envolvendo, em especial, o trato com os dados genéticos: é possível utilizar informações genéticas para fins de seleção ou eliminação em algum emprego? Quem deve ter acesso aos dados genéticos?

Enfim, as inúmeras possibilidades tecnológicas geram soluções a diversas questões, mas também geram novos problemas que precisam ser equacionados à luz dos princípios e valores.

 

Escola de Frankfurt 

(Texto de autoria da Profª ANA LÚCIA SANTANA, disponível em http://www.infoescola.com/filosofia/escola-de-frankfurt/)

 

“A Escola de Frankfurt nasceu no ano de 1924, em uma quinta etapa atravessada pela filosofia alemã, depois do domínio de Kant e Hegel em um primeiro momento; de Karl Marx e Friedrich Engels em seguida; posteriormente de Nietzsche; e finalmente, já no século XX, após a eclosão dos pensamentos entrelaçados do existencialismo de Heidegger, da fenomenologia de Husserl e da ontologia de Hartmann. A produção filosófica germânica permaneceu viva no Ocidente, com todo vigor, de 1850 a 1950, quando então não mais resistiu, depois de enfrentar duas Guerras Mundiais.

Ela reuniu em torno de si um círculo de filósofos e cientistas sociais de mentalidade marxista, que se uniram no fim da década de 20. Estes intelectuais cultivavam a conhecida Teoria Crítica da Sociedade. Seus principais integrantes eram Theodor Adorno, Max Horkheimer, Walter Benjamin, Herbert Marcuse, Leo Löwenthal, Erich Fromm, Jürgen Habermas, entre outros. Esta corrente foi a responsável pela disseminação de expressões como ‘indústria cultural’ e ‘cultura de massa’.

A Escola de Frankfurt foi praticamente o último expoente, o derradeiro suspiro da Filosofia Alemã em seu período áureo. Ela foi criada por Félix Weil, financiador do grupo, Max Horkheimer, Theodor Adorno e Herbert Marcuse, que a princípio a administraram conjuntamente. Ernst Bloch e o psicólogo Erich Fromm acompanhavam à distância o despertar desta linha filosófica, que vem à luz justamente em um momento de agitação política e econômica vivido pela Alemanha, no auge da famosa República de Weimar. Seus membros seriam partícipes e observadores das principais mutações que convulsionariam a Europa durante a Primeira Guerra Mundial, seguida por outros movimentos subversivos, dos quais ninguém sairia impune.

Esta Escola tinha uma sede, o Instituto para Pesquisas Sociais; um mestre, Horkheimer, substituído depois por Adorno; uma doutrina que orientava suas atitudes; um modelo por eles adotado, baseado na união do materialismo marxista com a psicanálise, criada por Freud; uma receptividade constante ao pensamento de outros filósofos, tais como Schopenhauer e Nietzsche; e uma revista como porta-voz, publicada periodicamente, na qual eram impressos os textos produzidos por seus adeptos e colaboradores. O programa por eles adotado passou a ser conhecido como Teoria Crítica.

Os integrantes da Escola assistiram, surpresos e assustados, a deflagração da Revolução Russa, em 1917, o aparecimento do regime fascista, e a ascendente implantação do Nazismo na Alemanha, que culminou com um exílio forçado deste grupo, composto em grande parte por judeus, a partir de 1933. Esta mudança marcou definitivamente cada um deles, principalmente depois do suicídio de Walter Benjamin, em 1940, quando provavelmente tentava atravessar os Pireneus, temeroso de ser capturado pelos nazistas.

Eles se tornam nômades, viajando de Genebra para Paris, então para os EUA, até se fixarem na Universidade de Columbia, em Nova York. A primeira obra produzida pelo grupo foi denominada Estudos sobre Autoridade e Família, gerada na Cidade-Luz, na qual eles questionam a real vocação da classe operária para a revolução social. Assim, eles naturalmente se distanciam dos trabalhadores, atitude que se concretiza com o lançamento do livro Dialética do Esclarecimento, lançado em 1947, em Amsterdã, que já praticamente elimina do ideário destes filósofos a expressão ‘marxismo’. Erich Fromm e Marcuse dão uma guinada teórica ao juntar os conceitos da Teoria Crítica aos ideais psicanalíticos. Marcuse, que optou por ficar nos Estados Unidos depois da volta do Instituto para o solo alemão, em 1948, foi um dos integrantes da Escola que mais receptividade encontrou para sua produção intelectual, uma vez que inspirou os movimentos pacifistas e as insurreições estudantis, fundamentais em 1968 e 1969, os quais alcançaram o auge no chamado Maio de 68.

Por outro lado, Adorno, até hoje tido como um dos filósofos mais importantes da Escola de Frankfurt, prosseguiu sua missão de transformação dialética da racionalidade do Ocidente, na sua obra Dialética Negativa. Sua morte marca a passagem para o que alguns estudiosos consideram a segunda etapa da Escola, que encontra seu principal líder em Jürgen Habermas, ex-assessor de Adorno e, posteriormente, seu crítico mais ardoroso.”